Feridas: Tipos, causas e tratamentos (Parte 4)

Conduta após a avaliação

No Post anterior vimos sobre os tecidos que se apresentam no leito das feridas. E que a partir da avaliação e reconhecimento destes determinamos a conduta adequada de tratamento. Hoje veremos sobre os tipos de curativos e suas utilizações mediante a avaliação da ferida. Vimos também que uma conduta adequada incorpora não só a avaliação do leito da lesão, mas também Peri-lesão e bordas.

Peri-lesão

Nos atentamos aos tecidos próximos (peri-lesão) com intuito de reconhecer o aspecto deste tecido, a fragilidade em que ele se encontra, se apresenta um tecido viável, hidratado para prevenir a incidência de uma nova lesão e a complicação no tratamento.

Bordas

Em bordas como já vimos também é necessário atentar-se, pois precisamos da granulação da borda para a estimulação da cicatrização. Bordas descolada podem propiciar formação de tunificação, bordas enroladas podem dificultar a vascularização e migração de células de epitelização; Bordas Maceradas facilitam a extensão da lesão, pois o tecido encontra-se já lesado.

Para que uma cobertura seja eficaz, precisamos reconhecer os mecanismos da cicatrização pra que haja segurança quanto ao material escolhido e essas coberturas precisam possuir critérios como serem impermeáveis a agua e bactérias, permitir a troca gasosa, permitir aplicação e remoção sem causar traumas, auxiliar na homeostasia, promover umidade adequada, proporcionar absorção, aliviar a dor, proteger e proporcionar conforto entre outras possibilidades que hoje são possíveis em curativos de alta tecnologia.

Limpeza

Antes de qualquer conduta é de extrema importância a limpeza da lesão, para isso utilizamos um produto cuja composição é undecilaminopropil betaína, polihexanida e água purificada, conhecido como PHMB; este proporciona limpeza com ação antimicrobiana, proporciona a umidificação adequada do leito, não causando ressecamento ou irritação e também tem a capacidade de remoção de Biofilme (que são as placas bacterianas envolvidas em capas que as protegem contra a ação de agentes externos). Esse produto prepara o leito da lesão para a receber as demais coberturas. A limpeza que também auxilia na evolução da lesão é o Desbridamento, limpeza que pode ser realizado com pinça, gaze, e bisturi se necessário; nessa limpeza fazemos a remoção de queratoses, escamações de pele, formações Necróticas e outros tecidos inviáveis que atrapalham o desenvolvimento da cicatrização, por exemplo, esfacelo que se encontra passível de remoção. A intenção não é lesar ainda mais o tecido e sim estimular.

Ações e Limpeza

Quanto às ações e condutas, em Peri-lesão, ao verificar-se ressecamento, tecido lesado é necessário agir. Em caso de ressecamento temos a opção de Cremes de Hidratação e óleos de AGE. É importante investigar possíveis reações alérgicas do paciente aos materiais que serão utilizados, em caso de afirmação de alergias, os produtos são evitados e em caso de desconhecimento, utilizamos mais observamos e acompanhamos possíveis reações. Peri-lesão com pequenos rompimentos indicando a fragilidade do tecido, podemos intervir impedindo que esses rompimentos se tornem novas lesões; esses pequenos rompimentos da pele podem se dar devido a Dermatites, edema excessivo do membro. Nesses casos utilizamos curativos que protejam e absorvam caso apresente umidade no local, por exemplo utilizando espuma de Poliuretano sem adesivo; em caso de rompimento da epiderme, temos disponível Malhas de Acetato de Celulose impregnada com Petrolatum ou parafina ou malhas de Biocelulose que proporciona a hidratação adequada e formação de tecido de granulação e epitelização (propiciam a regeneração do tecido).

Em Bordas, das mesma forma, caso esteja lesionada precisamos intervir buscando tornar o tecido viável para a epitelização. Havendo integridade de borda, para prevenirmos maceração que ocorre devido umidade excessiva ou exsudação da ferida utilizamos creme barreira  que se encontra disponível em Creme ou Spray;  eles formam uma película de proteção sobre o tecido e alguns causam hidratação.

No próximo post veremos alguns materiais mais específicos destinados ao leito da lesão de acordo com os tecidos presentes.

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Veremos mais sobre as condutas nos próximos posts.

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BIBLIOGRAFIA

CAMPOS, Maria Genilde das Chagas Araújo et al. (Org.).
FERIDAS COMPLEXAS E ESTOMIAS: Aspectos preventivos e manejo clínico.
João Pessoa: Ideia, 2016. 398 p.

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Escrito por: Enfª Gabriela de Castro Rodriguês Soares

por marcos galindo

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